Meu pai sempre dizia que a melhor
maneira para aprender uma profissão é
passar cada segundo observando alguém à exercendo.
“Para conseguir chegar ao topo,
você precisa subir um degrau por vez, começando lá de baixo”, ele me disse.
“Seja a pessoa sem a qual o seu chefe não possa viver. Seja seu braço direito.
Aprenda tudo sobre seu mundo, e sua ascensão começará assim que for
contratada.”
Eu me tornei indispensável. E
definitivamente me tornei o braço direito. Acontece que, neste caso, o braço
direito frequentemente queria estrangular o pescoço daquela maldita.
Minha chefe, a Srta. Lauren
Jauregui. Uma cretina. Uma doce e linda cretina.
Meu estômago se embrulha só de
pensar nela: olhos verdes, cabelos grandes e negros, branca e completamente
cruel. Ela era a babaca mais egocêntrica e convencida que eu já tinha
conhecido. Eu ouvia as outras pessoas do escritório fofocando sobre suas
escapadinhas e ficava pensando se um rosto bonito era tudo o que ela precisava.
Mas meu pai também dizia:
“Você também vai perceber cedo na
vida que a beleza é apenas superficial, mas a feiura se estende até os ossos”.
Eu tive minha quota de homens e mulheres desagradáveis nos últimos anos,
namorei alguns no colegial e na faculdade. Mas essa foi a campeã.
-Olá, srta. Cabello! – A srta. Jauregui estava de pé ao lado da porta da
minha sala, que servia de recepção para o escritório dela. Sua voz estava
melosa, mas era uma doçura toda errada...como um mel que foi congelado e que
agora estava começando a rachar.
Depois de derramar água no meu
celular, deixar cair meu par de brincos na lixeira, receber uma pancada na
traseira do meu velho carro na via expressa e ter de esperar a polícia chegar
para ouvir tudo aquilo que eu já sabia – que a culpa foi do outro motorista – ,
a última coisa que eu precisava naquela manhã era aguentar o mau humor da srta.
Jauregui. Pena que ela não tem nenhum outro tipo de humor.
Eu respondi com o “Bom dia, srta.
Jauregui” de sempre, esperando que ela respondesse com seu habitual aceno de
cabeça. Mas, quando eu tentei passar, ela murmurou:
- Bom dia? Será que você não quer dizer “boa tarde”, senhorita Cabello?
Que horas são nesse seu mundinho?
Eu parei e encarei de volta seu
olhar gelado. Ela era do meu tamanho, e mesmo assim quando estava perto dela,
me sentia extremamente pequena. Fazia seis anos que eu trabalhava para a
Jauregui Media Group, a JMG. Mas, desde o retorno da srta. Jauregui para a
empresa de sua família, há nove meses, eu começara a usar salto alto para fazer
parar, inutilmente, aquela sensação horrível de diminuição que ela me causava.
E ela claramente se divertia com isso, deixando escapar um brilho de
satisfação naqueles olhos verdes.
- Tive uma manhã meio desastrosa.
Não vai acontecer de novo – eu disse, aliviada por minha voz sair sem tremer.
Nunca me atrasei antes, nem uma vez, mas é claro que ela tinha que fazer uma
cena na primeira vez que aconteceu. Passei por ela, guardei minha bolsa e o
casaco no armário e liguei o computador. Tentei fingir que ela não estava ali
de pé na frente da porta, assistindo a cada movimento meu.
- uma “manhã desastrosa” é uma descrição muito apropriada para o que eu
tive de passar com a sua ausência. Tive de pedir desculpas a Alex Schaffer por
ele não ter recebido os contratos assinados quando prometido: às nove da manhã,
no horário da costa leste. Tive de ligar para Madeline Beaumont pessoalmente
par a confirmar que iríamos sim prosseguir com o trabalho como descrito. Em
outras palavras, fiz o seu trabalho e o meu nesta manhã. Tenho certeza de que,
mesmo com uma “manhã desastrosa” você conseguiria chegar às oito. Tem gente,
srta. Cabello, que começa a trabalhar antes mesmo do café da manhã.
Levantei a cabeça para encará-la
enquanto ela me julgava com os braços cruzados abaixo daqueles seios grandiosos
– e tudo por eu estar apenas uma hora atrasada. Então desviei os olhos para não
ficar encarando a maneira como o corte do seu vestido vermelho vinho realçava
bem suas curvas. No primeiro mês em que trabalhamos juntas, houve uma convenção
e fiz a besteira de visitar a academia do hotel – dei de cara com ela só de
short e top, toda suada e ofegante ao lado de uma esteira. Ela tinha o rosto
que qualquer modelo gostaria de ter e o cabelo mais incrível que eu já vi em
uma mulher. Cabelo de quem acabou de transar. Era assim que os garotos e
garotas do andar de baixo chamavam aquele cabelo, e de acordo com esse pessoal,
o título era bem merecido. A imagem dela passando a toalha no pescoço ficou pra
sempre marcada em minha memória. E a situação não melhorou nada depois de
descobrir que ela assumidamente, assim como eu, apreciava a anatomia feminina.
Mas, é claro, ela teve de estragar
o bom momento abrindo a boca: “É bom ver que você finalmente está tomando
interesse em cuidar do seu corpo, srta. Cabello.”.
Filha da puta.
- Desculpe, sra. Jauregui – eu
disse, deixando escapar um pouco de veneno latino na voz, como minha boa
descendência me permite. – Eu entendo o sacrifício que foi para a senhora usar
um fax e atender ao telefone. Como já disse, não vai acontecer de novo.
- Exatamente, não vai mesmo – ela
respondeu, com o sorriso pretensioso e firme no lugar. Se pelo menos ficasse de
boca fechada, ela poderia ser perfeita. Um pedaço de fita adesiva resolveria o
problema. Eu tinha um rolo no meu armário que às vezes eu pegava e acariciava,
pensando que um dia eu poderia fazer bom uso dele.
- E, só para que você não esqueça
desse incidente, eu gostaria de ver a situação completa dos projetos da
Schaffer, da Colton e da Beaumont na minha mesa até as cinco. E então você vai
compensar a hora perdida desta manhã simulando uma apresentação da conta da
Papadakis na sala de conferência às seis. Afinal, se você vai cuidar dessa
conta, terá de provar para mim que sabe o que está fazendo.
Meus olhos se arregalaram enquanto
eu assistia ela ir embora e bater a porta do escritório. Ela sabia muito bem
que eu estava apenas começando esse projeto, que também seria minha tese no
MBA. Ainda teria meses para terminar os slides depois que os contratos fossem
assinados...o que ainda não havia acontecido. Ainda não tinham nem sido
rascunhados. Agora, com tudo o mais jogado no meu colo, ela queria que eu
arrumasse uma apresentação em...olhei para o relógio. Ótimo, sete horas e meia,
se eu pulasse o almoço. Então abri o arquivo da Papadakis e comecei trabalhar.
Enquanto as pessoas começavam a
sair para o almoço, eu fiquei colada na minha mesa com meu café e um pacote de
salgadinho que peguei da máquina. Normalmente, eu trazia comida de casa ou saía
junto com os outros estagiário para almoçar, mas aquele dia o tempo não era meu
amigo. Ouvi a porta abrir e olhei com um sorriso no rosto enquanto Dinah Jane
entrava. Dinah e eu fazíamos parte do mesmo programa de estágio para MBA da
Jauregui Media Group, mas ela trabalhava no setor financeiro.
- Pronta para almoçar, coisinha? –
ela perguntou.
- Vou ter de pular o almoço, hoje
está sendo um dia infernal – eu disse, como quem pede desculpas, e o sorriso
dela mostrou um pouco de malícia.
- Dia infernal ou chefe infernal?
– ela sentou na beira da minha mesa. – Ouvi dizer que ela estava meio brava
hoje de manhã.
Respondi com um olhar de
cumplicidade. Dinah não trabalhava para ela, mas sabia tudo sobre Lauren
Jauregui, desde a cor dos olhos até à sexualidade bastante tentadora, afinal,
com seu conhecido pavio curto e fama de pegadora, ela era uma lenda viva no
escritório.
- Mesmo se existissem duas de
mim, não seria possível terminar tudo isso a tempo.
- Não quer mesmo que eu traga
alguma coisa? – seus olhos se moveram em direção a sala dela. – tipo, um
assassino de aluguel? Ou um pouco de água benta?
Tive de rir.
- Não, tudo bem.
Dinah sorriu e saiu. Eu tinha acabado de terminar meu café quando me
inclinei e percebi que minha meia tinha rasgado.
- E ainda por cima – comecei a
falar quando ouvi Dinah voltando – , consegui rasgar a meia. Na verdade, se
tiver chocolate no restaurante, você pode me trazer uns vinte quilos para eu
poder aliviar minha tensão?
Olhei para cima e vi que não era
Dinah parada ali na minha frente. Meu rosto ficou vermelho e abaixei a saia de
volta no lugar.
- Desculpa, sr. Jauregui, eu...
- srta. Cabello, já que você e as
outras secretárias têm tanto tempo para discutir suas lingeries problemáticas,
além de preparar a apresentação da Papadakis, preciso que você também vá até a
sala do Willis e me traga a análise de mercado e segmentação da Beaumont – ela
ajeitou os cabelos olhando para seu reflexo na minha janela. – Você acha que
consegue fazer isso?
Será que eu estava ouvindo
direito? Ela tinha acabado de me chamar de “secretária”? É verdade que parte do
meu estágio era fazer um pouco do trabalho básico de um auxiliar, mas ela sabia
muito bem que eu tinha trabalhado para essa empresa por vários anos antes de
conseguir minha bolsa da JT Miller na Northwestern University. Agora, faltavam
apenas quatro meses para eu conseguir meu diploma em administração. Quatro meses para eu pegar o diploma e dar
o fora daqui, pensei. Olhei para cima para encontrar seus olhos.
- Pode deixar, vou pedir para a
San trazer...
- Isso não foi uma sugestão – ela
me interrompeu. – Quero que você vá
pegar os documentos – ela olhou para mim por um instante com o queixo apertado
antes de se virar e voltar para sua sala, batendo a porta atrás de si. Qual é a merda do problema dela? Era
realmente necessário bater a porta como uma adolescente temperamental? Peguei
meu casaco e comecei andar até o escritório adjunto, que ficava em outro
prédio. Quando voltei, bati à porta dela, mas ninguém respondeu. Tentei girar a
maçaneta. Estava trancada. Ela provavelmente estava dando alguma rapidinha com
alguma princesa ou algum babaca da diretoria enquanto eu corria por Chicaco que
nem uma louca. Enfiei o envelope pardo na abertura do correio, esperando que os
papéis se espalhassem por toda a parte e ela tivesse de se abaixar para arrumar
tudo. Seria merecido. Até gostei dessa imagem dela de quatro no chão, juntando
os documentos. Por outro lado, conhecendo a pessoa, ela provavelmente iria me
chamar para limpar a bagunça enquanto ela se divertia assistindo.
Quatro horas mais tarde, eu tinha
terminado a atualização das contas, meus slides estavam praticamente em ordem e
eu estava quase rindo histericamente pensando no quão terrível o dia tinha
sido. Mas tive de passar um tempo planejando o assassinato do garoto do xerox.
Um trabalho simples, foi tudo que pedi. Faça umas cópias, encaderne umas
folhas. Era para ter sido uma coisa fácil. Entrar e sair. Mas não. Levou duas horas. E agora eu estava atrasada,
fodidamente atrasada.
Corri através dos corredores
escuros do prédio, que já estava vazio, com o material da apresentação quase caindo debaixo do braço, e olhei para o
relógio. Seis e vinte. A Sr. Jauregui ia me comer viva. Eu estava vinte minutos
atrasada e, como aprendera naquela manhã, ela odiava atrasos. “Atraso” era uma
palavra que não existia no Dicionário
para estúpidas de Lauren Jauregui. Também não havia: coração, bondade,
compaixão, obrigada ou pausa para o almoço.
Então lá estava eu, apressada
pelos corredores vazios, correndo com meus saltos gigantescos para encontrar a
demonia.
Respire, Camila. Ela pode sentir o cheiro do medo.
Quando me aproximei da sala de conferências, tentei acalmar minha
respiração e diminui o passo até voltar a andar. Um rastro de luz brilhava
debaixo da porta. Ela definitivamente estava ali. Com cuidado, tentei arrumar o
cabelo e as roupas enquanto alinhava o maço de documentos nos meus braços.
Respirando funto, bati na porta.
- Entre.
Entrei n o espaço bem iluminado. A
sala de conferência era enorme. Ficava no 18º andar e uma das paredes era coberta
por janelas que iam do chão ao teto, oferecendo uma visão espetacular de
Chicago. O anoitecer escurecia o céu lá fora, e arranha-céus pontuavam o
horizonte com suas janelas iluminadas. No centro da sala ficava uma grande e
pesada mesa de madeira e, na ponta mais distante, encarando na minha direção,
estava a Sra. Jauregui. Estava sentada lá, com os lindos cabelos negros presos
em o coque mal feito, os óculos de grau deixados de lado na mesa perto de onde
suas unhas bem pintadas batucavam sem parar, fazendo o som ecoar pela sala
silenciosa.
- Eu peço desculpas, sra. Jauregui
– eu disse, minha voz ainda ondulando por causa da respiração entrecortada. – a
impressão levou... – parei. Desculpas não iriam ajudar nessa situação. Além
disso, eu não deixaria ela me culpar por algo que estava fora do meu controle.
Ela podia ir para o inferno. Com minha coragem recém-descoberta, ergui o queixo
e caminhei até onde ela estava.
- Posso começar?
Ela não respondeu, apenas ficou
encarando minha postura, que tentava mostrar coragem. O que seria bem fácil se
ela não fosse tão linda. Em vez de dizer alguma coisa, ela fez um gesto em
direção aos papéis, pedindo que eu continuasse.
Limpei a garganta e comecei a
apresentação. Enquanto eu passava pelos diferentes aspectos da proposta, ela se
manteve em silêncio, olhando fixamente para sua cópia do texto. Por que estava
tão calma? Eu sabia lidar com seu mau humor, mas aquele silêncio ensurdecedor?
Aquilo estava me deixando nervosa. Eu estava inclinada sobre a mesa, explicando
um grupo de gráficos, quando aconteceu.
- O cronograma deles para o
primeiro resultado é um pouco ambici... – parei no meio da frase, com meu ar
preso na garganta. A mão dela pressionou gentilmente a parte de baixo das
minhas costas e então começou a descer até parar na curva da minha bunda. Nos
nove meses em que trabalhávamos juntas, ela nunca havia me tocado
intencionalmente.
E naquele momento fora
DEFINIVAMENTE intencional.
O calor de sua mão queimou através
da minha saia e chegou até a pele, cada músculo do meu corpo ficou tenso, e
senti como se minhas entranhas estivessem virando água. Que diabos ela estava
fazendo?! Meu cérebro gritou para eu tirar aquela mão dali e dizer para ela
nunca mais me tocar de novo. Mas meu corpo tinha outras ideias. Meus mamilos
endureceram, e apertei o queixo em resposta. Mamilos traidores. Enquanto meu coração batia forte no peito, pelo
menos meio minuto se passou, e nenhuma de nós disse nada quando a mão dela se
moveu para minha coxa e começou a acariciar. Nossas respirações e o barulho
abafado da cidade lá em baixo eram os únicos sons que pairavam no ar da sala de
conferência.
- Vire-se, srta. Cabello – sua voz
rouca quebrou o silêncio e eu ajeitei minhas costas, com os olhos grudados à
frente. Vagarosamente, eu me virei, enquanto ela passava a mão pelo meu corpo.
Eu podia sentir a maneira como ela esticou a mão, tocando com a ponta dos dedos
toda a extensão das minhas costas até pressionar seu polegar contra a pele
macia dos meus quadris. Abaixei a cabeça para encontrar seus olhos, que me
observava de volta atentamente.
Podia ver seus seios apertados
dentro do vestido subindo e descendo, cada respiração mais profunda do que a
última. Um músculo tremeu em seu queixo bem desenhado quando seu polegar
começou a se mover, acariciando lentamente de um lado para outro, os olhos
ainda grudados nos meus. Ela estava esperando que eu a interrompesse. Tive
muito tempo para afastá-la de mim ou simplesmente me virar e ir embora. Mas
havia muitas sensações dentro de mim. Estava
em uma espécie de transe a observando com a boca entreaberta, esperando
ansiosamente sua próxima ação. Nunca
tinha me sentido assim, e eu nunca imaginara que um dia me sentiria dessa
maneira em relação a ela. Eu queria dar um tapa forte no rosto dela, e depois
puxá-la pelos cabelos e lamber seu pescoço pálido.
- No que está pensando? – ela
sussurrou, com os olhos ao mesmo tempo zombando a mostrando ansiedade.
- Ainda estou tentando descobrir.
Com aqueles olhos vibrantes ainda
presos aos meus, ela começou a deslizar a mão mais para baixo. Seus dedos
percorreram minha coxa até a barra da saia. Então começou a subir a ponta do
dedo, tracejando a alça da minha cinta-liga, esbarrando na renda que sustentava
a meia. Um longo dedo deslizou por baixo do tecido fino e o puxou levemente
para baixo. Eu soltei um suspiro entrecortado, de repente me sentindo como se
estivesse derretendo por dentro. Como eu poderia deixar meu corpo reagir
daquela maneira? Ainda queria lhe dar um tapa, mas agora, mais do que isso, eu
queria que ela continuasse. Um desejo angustiado estava se concentrando entre
as minhas pernas. Ela alcançou o topo da minha calcinha e deslizou os dedos
debaixo do tecido. Senti sua carícia contra minha pele e o resvalar em meu
clitóris antes de ela enfiar o dedo lá dentro, e então mordi os lábios,
tentando, sem sucesso, abafar meu gemido. Quando olhei para baixo, gotas de
suor estavam se formando em suas sobrancelhas.
- Merda – ela grunhiu silenciosamente.
– você está molhada – seus olhos se fecharam e ela parecia lutar a mesma
batalha interna que eu enfrentava. Olhei para suas pernas e pude ver o quanto
ela as apertava uma contra outra na tentativa de acabar com o latejar que se
alojava em seu centro. Sem abrir os olhos, ela tirou o dedo e agarrou a renda
fina da minha calcinha. Ela estava tremendo quando olhou pra mim com uma
expressão furiosa. Com um movimento rápido, rasgou a calcinha, e o som do
tecido sendo partido ecoou pelo silêncio da sala vazia.
Ela puxou minhas coxas com força,
colocando meu corpo em cima da mesa fria e abrindo minhas pernas na sua frente.
Soltei um gemido involuntário quando os dedos dela voltaram, escorregando por
entre minhas pernas e me penetrando novamente. Eu desprezava aquela mulher com
todas as minhas forças, mas meu corpo me traía – eu desejava que ela
continuasse. Eu odiava admitir, mas ela era muito boa naquilo. Seu toque não
era aquela coisa gentil e amorosa a que eu estava acostumada, não vindos de uma
mulher. Acontece que a sr. Jauregui era uma mulher habituada a conseguir o que
queria, e ali naquele momento, o que ela queria era eu. Minha cabeça pendeu
para o lado quando me apoiei nos cotovelos, sentindo um orgasmo iminente se
aproximando a todo vapor.
Para meu completo horror, soltei
um sussurro implorando:
- Oh, por favor.
Ela parou de mexer, puxou os dedos
de volta a manteve o punho fechado na frente do rosto. Eu me sentei, agarrando
seu pescoço e puxando sua boca com foça sobre a minha. Seus lábios vermelhos
eram tão saborosos quanto pareciam, firmes e doces. Eu nunca tinha sido beijada
por alguém que claramente conhecia cada ângulo e movimento provocante capaz de
me deixar quase louca.
Mordi seu lábio inferior enquanto
minhas mãos rapidamente procuraram o zíper lateral de minha saia, o abrindo por
inteiro e me deixando completamente exposta.
- É melhor você estar pronta para
terminar o que começou.
Ela soltou um grunhido raivoso do
fundo da garganta e tomou minha blusa com as mãos, rasgando-a até abrir,
fazendo os botões prateados se esparramarem pela mesa.
Então, deslizou as mãos pelas
minhas costelas e sobre meus seios, apertando com os polegares em meus mamilos
endurecidos, com seu olhar sombrio, agora em um tom escuro, fixado na minha
expressão o tempo todo, como se estivesse pedindo aprovação para os próximos
passos. Suas mãos suaves agora adotaram uma força que quase me machucavam, mas,
em vez de me afastar ou reclamar, eu pressionei o corpo contra suas palmas,
querendo ainda mais, e mais forte.
Ela passou a apertar ainda mais
com os dedos. Passou pela minha mente
que eu poderia ficar toda machucada e, por um instante de insensatez, eu
desejei que ficasse. Eu queria uma lembrança dessa sensação, de estar
completamente entregue aos toques de Lauren.
Ela se inclinou o bastante para
morder meu ombro e então sussurrou:
- Você é uma putinha que gosta de
provocar, não é?
Sem conseguir me aproximar mais,
eu me apressei com o zíper de sua saia, a arrancando fora e jogando no chão.
Então deslizei meus dedos por entre o tecido preto de sua calcinha, sentindo
seu clitóris pulsar em minha mão.
- Oh, Cabello.
A maneira como ela sussurrou meu
sobrenome naquele momento enviou um forte onde de luxúria para dentro de mim,
me sentia embriagada de tesão. Ela
forçou minhas costas contra a mesa e me empurrou para trás. Antes que eu
pudesse dizer qualquer coisa, ela agarrou um de meus seios com uma das mãos e
com a outra penetrou forte dentro de mim. Eu nem pude ficar horrorizada pelo
gemido alto que soltei – aquilo era melhor do que qualquer coisa.
- O que foi? – ela sussurrou entre
os dentes cerrados enquanto as estocadas aumentavam colocando seus dedos fundo
e mais fundo. – Nunca foi fodida dessa maneira antes, não é? Você não ficaria
provocando tanto se estivesse sendo fodida direito.
Quem ela pensava que era? E por
que diabos o fato de ela estar certa me excitava tanto? Eu nunca tinha transado
em nenhum outro lugar além da cama, e nunca tinha me sentido daquela maneira.
- Já tive melhores – provoquei.
Ela riu, uma risada quieta e
debochada.
- Olhe para mim.
- Não.
Ela tirou seus dedos bem quando eu
estava prestes a gozar. Por um instante, achei que iria me deixar ali daquele
jeito, mas então ela segurou meus braços e me puxou para fora da mesa,
pressionando lábios e língua contra minha boca.
- Olhe para mim – repetiu. E,
finalmente, como ela já não estava mais dentro de mim, eu consegui olhar. A
sra. Jauregui piscou uma vez, vagarosamente, com os longos cílios fechando e
abrindo, e então disse calmamente: - Peça para eu te fazer gozar.
Seu tom de voz não parecia certo.
Parecia quase uma pergunta. Mas suas palavras eram iguais a ela: todas
distorcidas. Eu queria sim que ela me fizesse gozar. Mais do que qualquer
coisa. Mas ela estava sonhando se achava que eu lhe pediria.
- Você é uma filha da puta, sra. Jauregui.
- O sorriso dela mostrou que, seja lá o que ela queria de mim, conseguiu.
Eu quis arrancar seus dedos fora, mas, se fizesse isso, não teria mais daquilo
que eu realmente desejava.
- Peça por favor, srta.Cabello.
- Por favor, vá se foder.
A próxima coisa que senti foi o
frio da janela contra meu peito, e gemi por causa do contraste de temperatura
entre o vidro e a pele. Eu estava ardendo, cada parte de mim queria sentir o
toque rude e feminino dela.
- Pelo menos você é consistente – ela disse em meu ouvido antes de morder
meu ombro. Então, chutou meus pés.
- Abra as pernas.
Separei as pernas e, sem
hesitação, ela puxou meus quadris para trás antes de enfiar seus dedos dentro
de mim novamente. Rude e forte.
- Você gosta do frio?
- Sim.
- Sua safada. Você gosta de se exibir não é? – ela murmurou, tomando
minha orelha com os dentes – você adora saber que toda Chicago pode olhar para
cima e assistir você sendo fodida, e você está adorando cada minuto disso com
seus peitinhos pressionados contra o vidro.
- Pare de falar, você está estragando o clima – eu respondi, embora ela
não estivesse. Nem um pouco. Sua voz rouca estava me levando à loucura.
Ela apenas riu no meu ouvido,
provavelmente percebendo como eu me arrepiava com suas palavras.
- Você quer que eles assistam você
gozar?
Eu gemi em resposta, incapaz de
formar palavras com cada estocada e com seus seios roçando contra minhas costas
me pressionando cada vez mais contra a janela.
- Diga, você quer gozar, srta. Cabello? Responda ou vou parar e fazer
você me chupar – ela disse, indo cada vez mais fundo.
A parte de mim que a odiava estaca se dissolvendo como açúcar na língua,
e a parte que o desejava estava crescendo fogosa e exigente.
- Apenas diga – ela se inclinou para frente, chupou minha orelha enquanto a sua mão livre segurou
com força meus cabelos e depois mordeu com força. – e eu prometo que vou te
fazer gozar.
- Por favor – eu disse, fechando os olhos para apagar todo o resto e
apenas senti-la. – Por favor. Sim, eu quero. Ela soltou meus cabelos, desceu a
mão sobre meu ventre e moveu as pontas dos dedos por cima do meu clitóris,
exercendo a pressão perfeita, no ritmo perfeito. Eu podia sentir seu sorriso
pressionado contra minha nuca e, quando ela abriu a boca e mordeu minha pele,
eu gozei. Um calor se espalhou por minhas costas, ao redor dos quadris e entre
as pernas, me jogando de volta contra ela. Minhas mãos bateram contra o vidro e
meu corpo inteiro tremeu com o orgasmo que se espalhou em mim, me deixando sem
ar. Quando finalmente acabou, ela retirou seus dedos de dentro e me virou,
mergulhando a cabeça para chupar meu pescoço, meu queixo, meus lábios, enquanto
minhas unhas trabalhava em suas costas a marcando, não seria a única a sair
marcada nessa pequena aventura.
- Diga obrigada – ela sussurrou.
Afundei minhas mãos em seus
cabelos, que a muito já havia desfeito o coque, e puxei com força, esperando
tirar alguma reação dela, querendo saber se ainda estava consciente ou se tinha
perdido a cabeça. O que é que estamos
fazendo?
Ela grunhiu, inclinando-se em minhas
mãos e beijando meu pescoço de cima a baixo enquanto retirava a sua calcinha.
- Agora é a sua vez de me fazer sentir bem.
Soltei uma mão, alcancei seu
centro quente e pulsante e comecei a mexer. Ela estava molhada e pronta para
mim, perfeita. Eu queria dizer isso, mas nem em mil anos eu a deixaria saber o
quão incrível ela era. Em vez disso, eu me afastei de seus lindos lábios e
lancei-lhe o meu melhor olhar provocante.
- Vou fazer você gozar tão forte que vai até se esquecer que é a maior
filha da puta do planeta. – grunhi, abaixando pelo vidro. Já de joelhos
coloquei uma de suas pernas sobre meu ombro, com uma das mãos separei suas
dobras encharcadas e um sorriso sacana apareceu em meus lábios. Passei minha
língua demoradamente por toda sua extensão, de olhos fechados para saborear
aquele néctar dos deuses que era o seu gosto. Abri os olhos e olhei para cima:
ela estava com a testa e as palmas pressionadas contra o vidro, os olhos
fechados com força. Ela pareceu vulnerável, e ficou linda naquele abandono. Mas
não estava vulnerável. Ela era a maior cretina do planeta e eu estava de
joelhos na frente dela. Isso não poderia ficar assim.
Então, em vez de dar o que ela
queria, retirei sua perna do meu ombro e me levantei, encontrei minha saia pelo
chão e a coloquei de volta no lugar e a encarei. Foi mais fácil dessa vez, sem
as mãos dela me tocando e me fazendo sentir coisas que não eram do assunto
dela. Os segundos se passaram sem que nenhuma das duas desviasse o olhar.
- Que merda você acha que está
fazendo? – ela disse. – Ajoelhe-se e abra a boca.
- Sem chance.
Ajeitei minha blusa como pude e saí da sala, rezando para que minhas
pernas trêmulas não me traíssem. De volta à minha sala, peguei minha bolsa e
joguei o casaco nos ombros, tentando desesperadamente abotoá-lo com meus dedos
que também tremiam. A sra. Jauregui ainda não tinha saído, e torci para que o
elevador chegasse antes que eu tivesse que vê-la novamente.
Eu não me permiti sequer pensar no
que havia acontecido, não até sair de lá. Eu tinha deixado ela me foder, me
proporcionar o orgasmo mais incrível da minha vida, e então a deixara na sala
de conferências da empresa com a calcinha a mais de metro de distância do
corpo, com o pior toco que uma mulher poderia ter. Se fosse a vida de outra
pessoa, eu estaria comemorando e rindo muito. Pena que não era.
Merda.
As portas do elevador se abriram e eu
entrei, rapidamente apertando o botão e assistindo enquanto cada andar passava
diante dos meus olhos. Assim que cheguei ao térreo, corri, atravessando a
recepção. Ouvi o segurança dizer alguma coisa sobre trabalhar até tarde, mas
apenas acenei e passei por ele com pressa. A cada passo, a dor no meio das
minhas pernas me lembrava dos eventos a última hora. Quando cheguei no meu
carro, destranquei-o com o controle, abri a porta e me joguei na segurança do
banco de couro. Olhei para cima e enxerguei a mim mesma no espelho retrovisor.
Mas que merda foi aquela?
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